O comércio internacional está passando por uma reconfiguração profunda. A pandemia, as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China, e a busca por maior resiliência nas cadeias de suprimentos estão redesenhando o mapa do comércio global. Para o Brasil, esse momento representa tanto riscos quanto oportunidades.

O país tem vantagens comparativas claras em setores como agronegócio, mineração e energia renovável. Mas aproveitar essas vantagens em um ambiente internacional mais complexo e fragmentado requer uma estratégia comercial sofisticada que o Brasil nem sempre demonstrou ter.

O acordo Mercosul-UE

Após décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia finalmente avança para a fase de ratificação. Para o Brasil, o acordo representa acesso a um mercado de mais de 400 milhões de consumidores com poder de compra elevado. Mas também implica compromissos em áreas como proteção ambiental e padrões trabalhistas que vão exigir adaptações.

"O acordo é positivo para o Brasil, mas não é um presente. Vai exigir que a gente suba o nível em várias áreas", avalia Mariana Costa. Ela aponta que setores como o industrial terão que enfrentar uma concorrência mais intensa, enquanto o agronegócio e o setor de serviços tendem a se beneficiar.

A relação com a China

A China é o maior parceiro comercial do Brasil há mais de uma década. Essa relação é vital para a economia brasileira, mas também cria vulnerabilidades. A dependência das exportações de commodities para o mercado chinês expõe o Brasil às oscilações da demanda e dos preços internacionais.

Diversificar essa relação — tanto em termos de produtos exportados quanto de destinos — é um desafio que os formuladores de política comercial brasileiros reconhecem, mas que tem se mostrado difícil de executar na prática.

Oportunidades na transição energética

A transição para uma economia de baixo carbono está criando novas demandas globais que o Brasil tem condições de atender. Hidrogênio verde, minerais críticos para baterias, biocombustíveis e créditos de carbono são áreas onde o país tem potencial significativo.

Capitalizar sobre esse potencial vai exigir investimentos em infraestrutura, regulação adequada e uma diplomacia econômica ativa. Os primeiros movimentos já estão sendo feitos, mas o caminho ainda é longo.